Alguém já ouviu falar de um festival chamado I Love Jazz ? Eu também nunca havia ouvida nada a respeito. Estava eu no trabalho em setembro quando me lembrei que ouvira falar de um show de Paulinho da Viola em São Paulo naquela semana. Como era segunda feira, procurei em um guia de um jornal aí e não encontrei nada...Mas por acaso vi um pequeno quadradinho em uma das páginas e fiquei pasmo. A foto era de Catherine Russell e quem me lê sabe que falei dela tempos atrás. (Recorde aqui se não lembra.). E dá-lhe procurar o endereço do tal show, onde se venderia ingressos, o preço e tudo o mais.
Descobri que o show seria no Teatro da Cosipa (o que?? onde??) e que o ingresso custaria a bagatela de R$ 60,00. Puta merda!, pensei. não perco isso nem amarrado. Como já eram mais de 9 da noite, tive que esperar até o outro dia.
No dia seguinte de manhã, como a bilheteria abriria ao meio dia, lá fui eu debaixo de chuva em direção ao Jabaquara. O teatro fica ao lado da estação Conceição. Procuro a bilheteria, encontro e descubro que ao contrário do que me informaram, a abertura seria somente às 14:00 hs. E eu tinha que ir trabalhar às 13:00. Um rapaz me informou que possivelmente poderia comprar um pouco antes do show uma vez que a procura não estava tão intensa. Fui trabalhar pensando que já havia perdido. Um show destes teria ingressos sobrando??? Nem a pau!
Saí do trabalho mais cedo e fui de volta ao Jabaquara. No metrô já imaginava minha cara de tacho com a decepção enorme que me esperava. Ledo ivo engano: não tinha ninguém para comprar ingressos. Na verdade não tinha ninguém à espera em lugar algum. Somente uns gatos pingados aos quais nos juntamos. Os minutos se passaram e se transformaram em horas e nada de chegar a horda que gosta de música boa, nem de abrirem as portas da sala onde seria o espetáculo. às 21:30 abriram as portas e adentramos. O teatro bonito, grande, com poltronas confortáveis, novo. E vazio. Éramos ao todo umas 30 pessoas...
Uma moça entra no palco e anuncia o festival dizendo que era uma honra, uma isso, uma aquilo, que jazz é isso e é aquilo. E eu com a certeza de que ela nunca havia ouvido jazz na vida e chama ao palco Catherine Russell.
Uma mulher pequena, magra, com dreadlocks entra no palco acompanhada de uma guitarrista, um pianista e um baixista. Ela para no centro do palco, coloca a mão na frente dos olhos olhando para a platéia, como a olhar lá no fundo procurando as pessoas que não estavam lá...Afundei na poltrona de vergonha. Ela se virou como se desse de ombros e ligado o "foda-se" e abriu a boca. E quando fez isso, todos os pelos do meu corpo ficaram em pé. Ela mandou My Man´s An Undertaker. E eu até esqueci que havia levado a camera.
E então percebi o quanto valeu eu ter me esforçado para chegar ali, por ter me esforçado para conseguir baixar e decodificar os discos dela que consegui. Mas percebi também o descaso para música boa nesse país de axé e baianidades chatas. E que falta faz uma boa divulgação.
Quando o show acabou, a única coisa que me interessava era saber se a produção havia pedido para que trouxesem discos para vender. E ninguém sabia. Na procura por essa informação, encontro uma produtora que me disse que sim, mas ela não sabia com quem estava. Ia procurar.
Enquanto esperava, um rapaz que vira filmando o show, acompanhado de uma garota que me pergunta se posso responder umas poucas perguntas, pois me vira no show cantando junto com a moça e ele queria me gravar com a entrevista para colocar no site do festival. Concordei e meti a boca dizendo que era vergonhoso que não tivesse ocorrido nenhuma divulgação, que isso, que aquilo. Duvidei, claro que aquilo fosse para o site. Não foi...rs...
A produtora me trouxe os discos, originais e com preço de disco nacional. Comprei e pedi autógrafos nos dois e depois de ser atendido, vim embora para casa um pouco mais feliz, mas ainda muito puto por tão pouca gente ter estado lá.